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domingo, 12 de agosto de 2018

Bilhões e bilhões de estrelas - NGC 6520

NGC 6520
"Você já teve um dia em que parecia que uma nuvem escura estava te seguindo? Para o aglomerado aberto de estrelas NGC 6520, todos os dias é assim." [Fonte: APOD]

A imagem que trago desta vez é bem peculiar, existem vários elementos interessantes que consignam à foto uma beleza estimulante. Há tempos este alvo constava na minha lista de objetos a serem fotografados, principalmente por se tratar de algo bem particular: uma pequena nuvem escura navegando pelo bojo da Via Láctea acompanhado de um jovem aglomerado de estrelas.

No centro, à esquerda, temos o aglomerado aberto de estrelas NGC 6520, que é formado por jovens estrelas azuis; à direita temos a nuvem molecular Barnard 86, que também pode ser denominada como uma nebulosa de absorção (nebulosa escura) pois ela absorve a luz das estrelas de fundo. Possivelmente as estrelas do aglomerado se originaram da nuvem molecular Barnard 86, sendo esta nebulosa a fornecedora do material necessário para a formação de novas estrelas.
Destaque para o par cósmico (região central da foto).
Além disso, esta foto traduz em estrelas o celebrado título da obra de Carl Sagan, Billions and Billions: Thoughts on Life and Death at the Brink of the Millennium (Tradução: Bilhões e Bilhões: Pensamentos sobre Vida e Morte à Beira do Milênio). Cada minúsculo ponto no plano de fundo desta astrofotografia é uma estrela como o nosso Sol, porém muito mais distante e que compõe o centro galático.

#Dados do objeto:
Nome: ********
Catálogo: NGC 6520
Descrição: aglomerado aberto
Constelação: Sagittarius
Magnitude Visual: +7.59
Tamanho Aparente: 2.0 arcmin.
Dist. Estimada: 6200 anos-luz
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de NGC 6520 na constelação Sagittarius.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 38 quadros de 180s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Verde (filtro G): 14 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Azul (filtro B): 16 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Exp. Total: 3,4 horas
Calibração: darks
Local: Silvânia / Goiás / Brasil
Data: 18 de julho de 2.018
Escala bortle: 4-5
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Center (RA, hms): 18h 03m 16.614s
Center (Dec, dms): -27° 54' 57.217"
Size: 1.52 x 1.12 deg
Radius: 0.943 deg
Pixel scale: 1.32 arcsec/pixel*
Orientation: Up is 356 degrees E of N
*Esta escala considera a imagem em resolução total (4150 x 3050 pixels).


#Melhor resolução:
Flickr: resolução 1920 x 1411

Abraços!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O ato de observar o céu



O ato de observar o céu é uma herança que o ser humano carrega desde à Antiguidade, movidos pela curiosidade de entender o que se passa no mundo à sua volta, os homens questionaram o porquê das coisas e com isso romperam as barreiras do conhecimento.

O firmamento sempre se apresentou como um desafio ao intelecto humano pois, apesar dos esforços realizados para diminuir a distância entre o céu e a Terra, tudo parecia em vão ao perceber que mesmo subindo em uma árvore muito alta, ou escalando uma montanha, em nada conseguia-se alterar a distância até as estrelas, porque elas estão muito, muito distantes de nós.

Diferentemente do que ocorria em terra, onde podíamos tocar e alterar praticamente tudo ao nosso alcance, os céus se apresentavam indiferentes à vontade humana e com isso, segundo Aristóteles, da Lua para cima a natureza era perfeita e imutável, algo que se mostrou incorreto à medida que o nosso conhecimento astronômico evoluiu.

A observação do céu faz parte da vida humana desde milhares de anos atrás, nas civilizações antigas guerras eram iniciadas e/ou decididas de acordo com as observações celestes; o momento do cultivo era determinado pelas estrelas; a ascensão e/ou declínio de reis e imperadores eram marcados por eventos astronômicos. Com o tempo a ciência provou que haviam muitos mitos relacionados ao Universo e que guerras, reis, política e relacionamentos nada tinham em comum com os astros celestes.

Entretanto, outros casos, como a agricultura, estão fortemente ligados à observação celeste, graças à Astronomia o homem conseguiu descobrir o momento correto de iniciar o cultivo, pois percebia a mudança das estações do ano através das constelações no céu. A observação da Lua nos indicava a situação das marés e o Sol nos dizia as horas do dia. Hoje temos o calendário e o relógio para nos auxiliar.

Os benefícios acerca do estudo do Universo não se limitam à agricultura, as grandes navegações do século XV só foram possíveis devido ao conhecimento da esfera celeste, pois através das estrelas os navegadores conseguiam encontrar a sua posição no globo terrestre. Vários eventos observados no espaço alavancaram as pesquisas na Terra, o homem descobriu que a mesma física que rege as leis sobre a queda de um alfinete na Terra é a que governa o movimento dos astros no céu. Em proporções diferentes, mas com os mesmos princípios e leis, a Física é a mesma e esta descoberta possibilitou ao homem revelar os segredos dos movimentos celestes e, assim, começar a entender o firmamento.

O conhecimento da mecânica celeste proporcionou ao homem a possibilidade de extrapolar as barreiras do seu próprio planeta, assim alcançamos o espaço, ampliamos as possibilidades e trouxemos mais conforto para a vida na Terra. A tecnologia GPS, a energia solar, a panela de teflon, câmeras digitais, tudo isso foi possível através da exploração espacial realizada pelo homem.

Observar o céu é muito mais do que passar o tempo, na verdade, ao olharmos para cima, estamos buscando entender as nossas origens e, ao mesmo tempo, estamos admirando a beleza da vida e contemplando o Universo que existe dentro de nós mesmos. A Astronomia nos compele a enxergar mais longe e nos ensina a humildade, pois através dela percebemos a imensidão do Cosmos e o quanto somos pequenos diante das escalas cósmicas de tempo e espaço.

Hoje, muito mais do que definir as estações do ano, o homem consegue entender a formação e destruição de outros mundos, prever eventos cataclísmicos, aprimorar tecnologias, viajar ao espaço e, quem sabe, até descobrir uma nova casa para nós, humanos.

Abraços a todos!