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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Toto Mount - (Parte 2)

No dia 31 de outubro de 2016 foi apresentado no blog a Toto Mount, desde então a montagem ficou à espera de condições favoráveis aos testes em campo, sendo elas diretamente proporcionais à qualidade do céu noturno (seeing) e à minha disponibilidade de tempo. Na publicação anterior eu havia prometido descrever os passos da construção, porém acabei mudando de ideia e decidi primeiramente realizar os testes em campo porque podem surgir algumas alterações no projeto. Finalmente, em 04 de janeiro de 2017, a almejada noite de testes chegou e publicarei aqui os resultados. 

Preliminarmente, esclareço que os testes foram direcionados exclusivamente à atividade-fim do projeto, ou seja, astrofotografia de céu profundo, portanto, a abordagem realizada não incorporou métodos de aferição sistemática com rigorosa obediência ao método científico coletando, quantificando e classificando os dados obtidos. No entanto, asseguro que o rigor foi mantido para evitar a produção de resultados falso-positivos. Os testes não tiveram como escopo aferir erro periódico, capacidade máxima de carga, ortogonalidade dos eixos, nem qualquer outra coleta de dados a não ser a astrofotografia de longa exposição, porque é este o seu desiderato!

O primeiro passo foi o alinhamento polar da montagem, laconicamente este processo consiste em alinhar o eixo polar da montagem com o eixo de rotação do planeta, para isto foi empregado o método da derivação (drift) com o auxílio de uma webcam (SPC880NC). Durante o processo verifiquei que o ajuste de latitude se mostrou pouco prático e merece uma revisão futura, mas ainda assim é possível usá-lo satisfatoriamente; já o ajuste de latitude funcionou exatamente conforme o desejado. Abaixo segue o link para um vídeo de aproximadamente cinco minutos do planeta Vênus próximo ao horizonte e com turbulência atmosférica, a configuração consiste em um telescópio refrator Orion ED80 + webcam SPC880NC (aprox. 100x de aumento).

LINK:  Vídeo: Planeta Vênus

Assegurado o alinhamento polar, a próxima fase seria realizar capturas de longa exposição com este mesmo telescópio, porém com uma câmera DSLR Canon 450D acoplada. Nesta etapa descobri uma falha que impossibilitou este tipo de captura: o driver ASCOM do PicGoTo de alguma forma inverte o sentido dos motores e, ao acioná-lo, o motor de ascensão reta da montagem passa a trabalhar em sentido inverso ao desejado.

No dia 07 de janeiro de 2017 voltei aos testes (precisei inverter dois fios dos motores para assegurar a compatibilidade com o driver ASCOM), refiz o alinhamento polar e retomei as atividades de onde haviam sido interrompidas, porém não fiz um alinhamento polar tão primoroso quanto o primeiro. Apesar da Lua em fase crescente (62% iluminada), aproveitei para fazer o teste de longa exposição assim mesmo.

Foi utilizado o programa PHD Guiding para a tarefa de autoguiagem, vejam abaixo o gráfico:
Para um teste preliminar ficou bom e sei que pode ficar ainda melhor!
O gráfico não está ruim para a configuração, mas percebi dois pontos para melhorar a qualidade da guiagem na próxima captura: 1) melhorar o alinhamento polar; 2) regular o balanceamento que fiz apressadamente.


Segue abaixo duas exposições de 300s em ISO400 (exposições únicas!):
Nebulosa de Órion M42
Foto anterior com destaque para as estrelas pontuais (objetivo).
Nebulosa da Tarântula
Os testes me deixaram muito satisfeito, o desempenho da montagem foi satisfatório. O próximo objetivo é fazer uma captura completa com várias horas de exposição e processamento adequado.

Nas próximas publicações continuarei a publicar detalhes e os avanços com a Toto Mount.

Abraços!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Toto Mount - (Parte 1)



Nesta publicação apresento o meu projeto ATM mais recente: Toto (lê-se tôtô) Mount ou Montagem Toto*. Trata-se de uma montagem equatorial germânica compacta destinada a compensar o movimento de rotação da Terra para telescópios de pequeno porte e câmeras digitais para astrofotografia de céu profundo, podendo ser utilizada também para observações visuais.
Diante das particularidades do projeto, bem como das referências que podem ser úteis a outros projetistas e entusiastas, resolvi dividir a publicação em duas partes, sendo a primeira destinada à apresentação da montagem e a segunda à fase de construção.


Como sabemos, a Terra possui dois tipos de movimento bastante conhecidos, sendo o movimento de translação (responsável pelos anos) e o movimento de rotação (responsável pelos dias), este último é o responsável pelo movimento aparente dos astros no céu noturno, portanto, para registrá-los com qualidade faz-se necessário este aparato mecânico que compense tal movimento.
Inicialmente, o projeto contava com dois objetivos bem claros:

  • Obter uma GEM (German Equatorial Mount - Montagem Equatorial Germânica) compacta para observações/fotografias em locais distantes da poluição luminosa urbana;
  • Colocar em uso vários componentes que estavam parados no depósito.

Com estes dois objetivos em pauta iniciei a fase de projeto, tendo como foco: baixo custo (que nem sempre combina com este tipo de coisa); portabilidade (afinal, precisa ser leve e pequena) e eficiência (sem ela o projeto torna-se um item de decoração da casa).

De certa forma o projeto não é inteiramente genuíno porque eu tinha como meta reaproveitar algumas peças paradas, então precisei partir do que eu já tinha no depósito e, devido a este fato, a montagem ficou maior do que o esperado, acrescentando mais robustez e menos portabilidade. 

Era previsto usar apenas câmeras DSLR com objetivas nesta montagem e, no entanto, ao final ela se mostrou capaz de suportar cargas equivalentes a uma EQ5 comercial (~10kg) devido aos componentes empregados.

Foi utilizado 
alumínio na estrutura (exceto os mancais que são de ferro fundido) e todos os parafusos são allen de aço inox. Os motores de passo são controlados pelo sistema PicGoTo (com GoTo e autoguiagem), que pode ser alimentado por uma fonte 9V ou por pilhas, oferecendo versatilidade e portabilidade. A motorização de DEC (composto de: engrenagem, fuso, suporte e embreagem) atuam como um contra-peso minimizando a necessidade de carga adicional para equilibrar a montagem. O saddle é padrão Vixen e aceita a maioria dos telescópios comerciais. 




A montagem ficou bem versátil, oferecendo duas configurações interessantes:

  1. Peso Pena (câmera + objetiva) eixo DEC curto:
  2. Peso Leve (telescópio) eixo DEC longo:
Notem que na segunda configuração o eixo de DEC recebeu um extensor e foi desenvolvido também um pilar de elevação para o tripé possibilitando o uso da montagem em baixas latitudes (no meu local de observação é ~-16°) e com contra-pesos maiores também. 

Detalhes

Procedimento de alinhamento polar pode ser feito
com laser através deste orifício.

Sistemas de ajuste fino para alinhamento polar.
*NOTA: o nome da montagem é uma homenagem ao meu filho de seis anos!


Abraços!