Mostrando postagens com marcador rotação da Terra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rotação da Terra. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de junho de 2013

Montagem Equatorial motorizada e computadorizada (novos ajustes)

Após alguns testes com a minha montagem equatorial, percebi que seriam necessários alguns ajustes para que a precisão desejada fosse alcançada. Principalmente no ajuste de latitude pois o sistema anterior não possibilitava a precisão necessária para eliminar qualquer desalinhamento do eixo polar; para resolvê-lo criei um sistema com dois parafusos que empurram um eixo fixado na base da montagem, conforme se ajusta os parafusos, a montagem gira sobre a base produzindo um ajuste fino de latitude. Vejam:


Além da instalação do sistema de ajuste fino na latitude, foi necessário instalar também um cilindro maciço de aço na junção entre a base de madeira e a coluna do pilar, este cilindro é inserido dentro do pilar por 12cm, desta forma, consegui eliminar uma pequena folga que ocorria nesta junção devido ao peso da cabeça equatorial que descolava a base levemente tirando-a do centro do pilar, infelizmente não tenho fotos do cilindro para publicar.

Um sistema de freios no eixo polar também foi instalado para aumentar o atrito neste eixo quando necessário, devido aos rolamentos, o atrito é quase nulo e deixa os movimentos do eixo leves demais em alguns casos, assim, o freio neste eixo possibilita ampliar ou reduzir o atrito quando necessário.



Os motores também foram substituídos devido à folga na conexão entre o motor anteriormente usado e a redução extraída de um motor Pittman, às vezes ocorria deslizamento na acoplamento, então substitui este sistema por outro no qual os motores e as suas respectivas reduções (120:1) são fixos, com isso solucionei o problema do deslizamento e eliminei uma variável para me preocupar.


A montagem se comportou bem com o peso do telescópio refletor newtoniano GSO de 150mm F/5 cuja massa é de aproximadamente 7.5kg, este telescópio não ofereceu dificuldade alguma para a montagem, o que me deixou muito satisfeito. Falta-me agora céus limpos para verificar se conseguirei alinhá-la com o pólo celeste sul com precisão suficiente para astrofotografia de longa exposição.


(Atualização em 19/07/2013)...

Eu estava devendo algumas fotos nesta postagem, principalmente do cilindro de aço que é inserido no pilar melhorando o balanço da montagem. Pesquisando em meus arquivos no computador, encontrei as imagens e agora as publico aqui.


Na imagem acima podemos ver o cilindro de aço e a guia fixa à base que auxilia no refinamento do ajuste de latitude.


Aqui vemos o pilar e os dois parafusos responsáveis em "empurrar" a guia da base da montagem para refinar o alinhamento polar.


Abraços e obrigado pela visita!

domingo, 4 de novembro de 2012

Montagem Equatorial motorizada e computadorizada

Como sabemos o dia possui aproximadamente 24 horas, que é o tempo necessário para a Terra completar uma volta em torno do seu próprio eixo, este movimento é conhecido como "rotação" e pode ser observado a olho nú, desde que a pessoa observe um objeto celeste como a Lua, uma estrela, ou até mesmo o Sol (proteja os olhos corretamente para observar o Sol) por algum período. O observador notará que o astro desloca-se a uma velocidade de aproximadamente 15° por hora ou 0,25° por minuto. Como referência, use o seu dedo indicador à distância de um braço do seu olho, a largura do seu dedo corresponde a aproximadamente 0,5° na esfera do céu.

À vista desarmada, esta é uma baixa velocidade, mas através de um telescópio ela praticamente impossibilita a observação astronômica porque o campo observado por um telescópio é (em média) inferior a 1°. Então, em pouco tempo, o astro foge ao campo visual do telescópio, principalmente quando usamos grandes aumentos, pois, quanto maior o aumento, menor o campo. 

Para superar esta dificuldade usamos uma montagem equatorial germânica (ou GEM - German Equatorial Mount em inglês) que é uma estrutura mecânica cuja finalidade é sustentar um telescópio e reproduzir o movimento de rotação da Terra para que o astro observado através do telescópio nunca saia do seu campo de visão. Existem outros tipos de montagem equatorial, mas a mais popular dentre os astrônomos amadores é a tipo alemã ou germânica. Este tipo de equipamento deve ser capaz de suportar bastante massa em seu berço de carga e possuir uma precisão elevadíssima, tais requisitos parecem ser antagônicos, mas é o que se espera de uma montagem equatorial.

Costuma-se dizer que uma montagem deste tipo deve possuir a delicadeza e precisão de uma dançarina de ballet e a robustez de um lutador de boxe. Todo tipo de vibração deve ser minimizada ou neutralizada, deve ser capaz de alinhar-se com o eixo de rotação da Terra, possuir ajuste em azimute, possuir um motor que reproduza a velocidade sideral com precisão e a transmita ao fuso acoplado a engrenagem que, por sua vez, é acoplada ao eixo polar (ou, eixo de Ascensão Reta - AR). Se possível, também é interessante que a montagem possua um motor no eixo de declinação, que é ortogonal ao eixo polar para que assim permita efetuar a autoguiagem, que é um processo pelo qual uma câmera secundária corrige os movimentos de ambos os eixos da montagem automaticamente. Estes são apenas alguns dos parâmetros necessários a um equipamento desta natureza.

Nesta postagem eu apresento a minha montagem equatorial germânica construída em casa, totalmente motorizada e controlada por computador. Nela utilizei quatro conjuntos de mancais e rolamentos (pillow blocks) com duas engrenagens e seus respectivos fusos mais dois motores com redutores controlados por PicGoTo. A montagem está instalada sobre um pilar de aço de 3" bem robusto que possui três rodinhas, uma em cada braço da base para movimentá-la, haja visto que é quase impossível levantá-la do solo.

Após dois anos projetando e comprando componentes, finalmente consegui montar toda a estrutura. Para construí-la precisei da ajuda de alguns amigos: Edigelson (marceneiro), Antoneone (torneiro mecânico), Newton (torneiro mecânico), José Marcos Baungartner (PicGoTo), Darío Pires (engrenagem e fuso polar), além do apoio incondicional da minha esposa (Jaqueline) e da companhia do meu filho de 2 anos (Heitor). Cito também alguns mestres importantes para o projeto: Vitor AD, Alexandre Milito, José Marcos Baungartner e Darío Pires. Peço desculpas se esqueci de alguém.

Montagem com um refrator 83mm F/12 também construído por mim.

Detalhe do eixo polar (Ascensão Reta)
A montagem possui dois níveis de bolha para o correto nivelamento com o solo.
Conexão do eixo de AR com o eixo de DEC.
Detalhe do dispositivo de ajuste de latitude.


Detalhe do ajuste de latitude.

Nestas imagens a montagem está sustentando um telescópio refrator 83mm F/12 também construído por mim, mas deverá trabalhar em definitivo com um telescópio refletor 150mm F/5 GSO com um refrator 90mm F/5.5 para autoguiagem.

Agradeço a todos pela visita.