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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Astrofotografia Amadora - Parte II (Equipamentos)


Nesta continuação do tópico anterior irei discorrer agora sobre vários termos utilizados na Astrofotografia Amadora e as razões que motivam o uso de alguns equipamentos nesta área. Quando iniciei nesta prática eu não encontrei qualquer tipo de material que explicasse (e mostrasse) o papel de cada equipamento durante o processo e como identificar erros nas minhas imagens produzidas. 

A curva de aprendizado para mim seguiu paulatinamente, cada novo passo baseou-se no entendimento sobre o papel dos instrumentos e, à medida que eu conseguia comprar o que precisava, podia acompanhar ao longo do tempo a evolução das minhas fotos. Este processo de aprendizagem para mim se deu solitariamente pesquisando no pouco material que havia disponível na língua portuguesa e fontes em inglês.

Como sabem, sou praticante de basicamente um tipo de astrofotografia: objetos de céu profundo (deep sky objects). Embora no início eu tenha praticado astrofotografia planetária com uma webcam e também eventualmente eu faça registros solares e lunares, hoje o meu conjunto de equipamentos baseia-se prioritariamente neste tipo de astrofotografia. Portanto a minha experiência predominante é nesta área e o nosso guia será voltado a este segmento.

O conjunto de equipamentos necessários (comumente chamado de setup) para fazer fotos do céu profundo consiste basicamente em:

*Telescópio principal: instrumento de boa qualidade ótica e rápido (abaixo de F7), cuja função é capturar a luz necessária para formar as imagens;

*Montagem equatorial: equipamento necessário para compensar o movimento de rotação da Terra, uma montagem equatorial para astrofotografia deve ser precisa e robusta; 

*Câmera DSLR: câmera capaz de fazer longa exposição e alta sensibilidade em ambientes com pouca luz;

*Conjunto de autoguiagem: equipamento necessário para fazer correções finas em tempo real durante o acompanhamento sideral;

*Corretor/Aplanador: acessório necessário para corrigir a ótica do telescópio principal, em refratores (foto) utiliza-se um aplanador de campo (field flattener), em refletores é utilizador o corretor de coma (coma corrector), e alguns tipos de telescópio dispensam este acessório, exemplo dos Ritchey–Chrétien;

*Laser verde (buscadora): acessório cuja finalidade é facilitar o apontamento do telescópio na direção do alvo a ser fotografado.

Opcionalmente ainda podemos ter: filtros; roda de filtros; máscaras de foco; no-break; removedores de orvalho; estabilizadores de tripé etc.

Esta série de publicações terá apenas mais duas partes, sendo que na próxima serão abordados os seguintes temas: motorização/autoguiagem, tempo de exposição, ISO, aberração cromática e curvatura de campo. A última será sobre processamento de imagens.


Até a próxima!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A primeira luz!

“A primeira luz” é um termo muito comum entre os astrônomos amadores ao citarem a primeira observação astronômica realizada com o telescópio novo, tal termo não se limita aos observadores brasileiros, nas terras de língua inglesa falam The first light. O telescópio, a grosso modo, nada mais é do que um sistema coletor de fótons, que é o quantum da radiação eletromagnética, através destes fótons emitidos pelos objetos celestes formam-se as imagens que chegam aos nossos olhos.

Alguns destes fótons viajaram apenas alguns milésimos de segundos, como no caso das observações terrestres, ou então viajaram minutos-luz, caso dos objetos do Sistema Solar, ou vieram de mais longe ainda, vieram de um passado distante e precisaram transpor anos-luz de distância, ou talvez, dezenas, centenas, milhares, milhões de anos-luz até serem coletados por um telescópio aqui na Terra.

Dizemos que observar o Universo é observar o passado pois a luz não é instantânea, ela necessita de tempo para chegar de sua fonte emissora até o receptor; ela é limitada por sua velocidade, que é até o presente momento, de acordo com a Física, o que há de mais veloz na natureza, que corresponde a 300.000 km/s. A esta velocidade os fótons necessitam de 8 minutos para chegarem do Sol à Terra, por isso dizemos que a Terra está a 8 minutos-luz de distância do Sol. Oito minutos correspondem a 480 segundos, se multiplicarmos este tempo pela velocidade da luz encontraremos a distância da Terra ao Sol, conforme a equação do Movimento Retilíneo Uniforme (MRU), temos que:

S = S° + v*t

Então,

S = 0 + (300.000 km/s) * (480 s) = 144.000.000 ( 144 milhões de quilômetros)

De acordo com os nossos cálculos, a distância entre a Terra e o Sol é de 144 milhões de quilômetros, o que é uma boa aproximação com o valor oficial de 149.600.000 km (149 milhões e 600 mil quilômetros), ou seja, obtivemos uma aproximação de 96% !

As distâncias no Universo são assombrosas e vão além da imaginação humana, o nosso cotidiano é permeado por números que são insignificantes nas escalas cósmicas. Veja como exemplo o tempo necessário para a luz percorrer de Brasília-DF a Pelotas-RS, cujo percurso em linha reta é de 1.835,45 km, seriam necessários apenas 0,006 segundos, ou seja, 6 milésimos de segundos.

Voltando aos telescópios, na noite anterior o meu novo telescópio coletou os seus primeiros fótons, apesar da grande quantidade de nuvens no céu, consegui uma pequena janela entre elas para fazer um registro da Lua:



Esta pequena estrela no canto inferior direito é uma estrela na constelação de Escorpião, seu nome é Acrab ou Graffias. Em grego Graffias significa "a pinça" (uma das garras do animal escorpião). Na Bandeira do Brasil ela representa o estado do Maranhão.

Considerando a distância média da Terra à Lua em 384.400 km, os fótons coletados pelo o meu telescópio precisaram de 1,3 segundos para serem refletidos da Lua para a Terra. Você pode me perguntar: “Por que refletidos e não emitidos?” Lhe respondo porque a Lua não emite Luz, na verdade ela reflete a Luz emitida pelo Sol, mas este é um assunto para outro tópico.

Abraços a todos!