quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A incrível Nebulosa da Águia - Messier 16

Nebulosa da Águia ou Messier 16
A Nebulosa da Águia ou Messier 16 é um objeto emblemático na astrofotografia amadora e também dentre aqueles que praticam observação visual. Trata-se de um dos objetos celestes mais conhecidos do público em geral, boa parte deste sucesso deve-se à famosa foto tirada pelo telescópio espacial Hubble intitulada Pilares da Criação, a impressionante estrutura integra esta vasta nebulosa.

Escrever no meu blog sobre um objeto tão famigerado representa um desafio, porque há muita literatura sobre esta nebulosa, sendo ela muito conhecida no mundo todo tal como a Nebulosa de Órion, Nebulosa da Lagoa, Nebulosa Trífida e o aglomerado das Plêiades. Certamente M16 é o alvo que todo iniciante em astrofotografia deseja fazer, principalmente para capturar os famosos pilares que ilustram muitos livros de ciência da escola e não é por menos que ela é um dos objetos mais famosos do COM (Catálogo de Objetos Manjados).

Os pilares são incrivelmente fáceis de se registrar em foto, pois situam-se na região mais brilhante da nebulosa exigindo pouco tempo de exposição para conseguir um resultado aceitável. Veja abaixo um recorte desta região na minha fotografia:

Os famosos "Pilares da Criação"!
No entanto, o esplendor da imagem apenas se revela através de um trabalho relativamente árduo. Um grande objeto merece uma grande foto! A Nebulosa da Águia já me trouxe várias frustrações, há tempos tento registrá-la com seus enormes braços de nebulosidade, desde o tempo em que eu utilizava câmera DSLR, e mesmo com a câmera COLDMOS este objeto se mostrou bem desafiador. Também foi uma boa oportunidade para colocar a VERONICA em testes.
Veronica carregando o refrator.
Iniciei a captura com 6 horas, o que é algo relativamente bom para a maioria dos objetos deep sky (geralmente faço entre 4 e 5 horas), após o primeiro processamento notei que pouca nebulosidade havia sido capturada; parti para 11 horas e mesmo assim não me satisfez. Portanto acabei fazendo 21 horas de exposição (meu recorde até o momento!). Logo pretendo escrever no meu blog um artigo acerca da relação sinal/ruído para explicar como isto funciona na prática.
[Canal R] - notem quanta nebulosidade de emissão!
Esta astrofotografia foi o meu maior desafio até agora nesta arte, foram 4 noites de capturas e inúmeras tentativas de processamento. Quando vemos uma astrofotografia pronta, dificilmente vislumbramos o quanto de trabalho fora empregado ali, esta imagem é um exemplo disso.

#Dados do objeto:
Nome: Nebulosa da Águia / Eagle Nebula / Nebulosa da Rainha Estelar / Star Queen Nebula
Catálogo: Messier 16 / M16 / NGC 6611 / IC 4703 / LBN 67
Descrição: aglomerado aberto com nebulosidade
Constelação: Serpens (Serpente)
Magnitude Visual: +6.40
Tamanho Aparente: 35.0 x 28.0 arcmin.
Dist. Estimada: 5700 anos-luz
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de M16 na constelação Serpens.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: Veronica CEM
Filtros: LRGB Optolong e L-PRO Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 15 horas (subs 180s and 300s) bin1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 3,5 horas (subs 180s and 300s) bin1x1 -10° C
Verde (filtro G): 1,25 horas (subs 180s) bin1x1 -10° C
Azul (filtro B): 1,1 horas (subs 180s) bin1x1 -10° C
Exp. Total: 20,85 horas
Calibração: darks
Local: Silvânia / Goiás / Brasil
Data: 10-13 de agosto de 2.018
Escala bortle: 4-5
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution ........ 1.318 arcsec/pix*
Rotation .......... -15.069 deg
Focal ............. 594.59 mm
Pixel size ........ 3.80 um
Field of view ..... 1d 29' 42.3" x 1d 3' 37.6"
Image center ...... RA: 18 19 01.369  Dec: -13 56 23.55
*Esta escala considera a imagem em resolução total (4150 x 3050 pixels).

#Melhor resolução:
Flickr: resolução 2200 x 1560

Abraços!

domingo, 12 de agosto de 2018

Bilhões e bilhões de estrelas - NGC 6520

NGC 6520
"Você já teve um dia em que parecia que uma nuvem escura estava te seguindo? Para o aglomerado aberto de estrelas NGC 6520, todos os dias é assim." [Fonte: APOD]

A imagem que trago desta vez é bem peculiar, existem vários elementos interessantes que consignam à foto uma beleza estimulante. Há tempos este alvo constava na minha lista de objetos a serem fotografados, principalmente por se tratar de algo bem particular: uma pequena nuvem escura navegando pelo bojo da Via Láctea acompanhado de um jovem aglomerado de estrelas.

No centro, à esquerda, temos o aglomerado aberto de estrelas NGC 6520, que é formado por jovens estrelas azuis; à direita temos a nuvem molecular Barnard 86, que também pode ser denominada como uma nebulosa de absorção (nebulosa escura) pois ela absorve a luz das estrelas de fundo. Possivelmente as estrelas do aglomerado se originaram da nuvem molecular Barnard 86, sendo esta nebulosa a fornecedora do material necessário para a formação de novas estrelas.
Destaque para o par cósmico (região central da foto).
Além disso, esta foto traduz em estrelas o celebrado título da obra de Carl Sagan, Billions and Billions: Thoughts on Life and Death at the Brink of the Millennium (Tradução: Bilhões e Bilhões: Pensamentos sobre Vida e Morte à Beira do Milênio). Cada minúsculo ponto no plano de fundo desta astrofotografia é uma estrela como o nosso Sol, porém muito mais distante e que compõe o centro galático.

#Dados do objeto:
Nome: ********
Catálogo: NGC 6520
Descrição: aglomerado aberto
Constelação: Sagittarius
Magnitude Visual: +7.59
Tamanho Aparente: 2.0 arcmin.
Dist. Estimada: 6200 anos-luz
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de NGC 6520 na constelação Sagittarius.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 38 quadros de 180s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Verde (filtro G): 14 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Azul (filtro B): 16 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Exp. Total: 3,4 horas
Calibração: darks
Local: Silvânia / Goiás / Brasil
Data: 18 de julho de 2.018
Escala bortle: 4-5
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Center (RA, hms): 18h 03m 16.614s
Center (Dec, dms): -27° 54' 57.217"
Size: 1.52 x 1.12 deg
Radius: 0.943 deg
Pixel scale: 1.32 arcsec/pixel*
Orientation: Up is 356 degrees E of N
*Esta escala considera a imagem em resolução total (4150 x 3050 pixels).


#Melhor resolução:
Flickr: resolução 1920 x 1411

Abraços!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Uma Nebulosa Impactante - IC 4603

IC 4603
Esta é uma nebulosa impactante! Sem dúvidas um objeto muito distante do trivial. Com suas densas nebulosas escuras adjacentes, IC 4603 se apresenta como algo surreal aos nossos olhos. Único objeto para o qual me programei para fotografar no EBA, sendo ele o primeiro a ser capturado e o último (dos três que fiz durante o evento) a ser publicado devido à sua complexidade no processamento.

A nebulosa brilhante ao centro é do tipo de reflexão, a luz das jovens estrelas azuis é refletida pela poeira menos densa. Enquanto as nuvens mais densas, ricas em carbono, bloqueiam a luz das demais estrelas produzindo as zonas mais escuras vistas na imagem.

Situada na constelação de ophiuchus (ou serpentário), próximo à estrela Antares, faz parte do Complexo de Nuvens Moleculares Rho Ophiuchi. Este complexo é uma das regiões mais fotografadas do céu noturno, produzindo imagens muito belas e ricas em cores, contudo raramente vemos uma foto como esta acima, isto é, com ênfase em um dos seus membros, neste caso IC 4603.

Algo interessante que costumo fazer para analisar as imagens é separar os canais de cor no Adobe Photoshop a fim de comparação:
[Canal R]
[Canal G]
[Canal B]
Percebam a diferença do canal azul em relação aos demais.

#Dados do objeto:
Nome: ********
Catálogo: IC 4603 ou LBN 1109
Descrição: nebulosa brilhante (reflexão)
Constelação: Ophiuchus
Magnitude Visual: +10.00
Tamanho Aparente: 20.0 x 10.0 arcmin.
Dist. Estimada: 420 anos-luz
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de IC 4603 na constelação ophiuchus.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 47 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 16 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Verde (filtro G): 7 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Azul (filtro B): 8 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Exp. Total: 6,5 horas
Calibração: darks Bin 1x1
Local: Padre Bernardo / Goiás / Brasil (XI EBA)
Data: 14 de julho de 2.018
Escala bortle: 3-4
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution* ........ 1.316 arcsec/pix
Focal ................. 595.44 mm (cropped)
Pixel size ........... 3.80 um
Image center ..... RA: 16h26m 31.4s  DEC: -24°30' 24"
*Esta resolução considera a imagem em resolução total (4300 x 3300 pixels).


#Melhor resolução:
Flickr: resolução 1920 x 1350

Abraços!

domingo, 22 de julho de 2018

Uma galáxia irregular - NGC 55

NGC 55
Catalogada como NGC 55 no New General Catalogue - NGC, trata-se de uma galáxia irregular, do tipo da Grande Nuvem de Magalhães, contudo, enquanto a GNM situa-se a aproximadamente 180 mil anos-luz de distância, NGC 55 está a mais de 6 milhões de anos-luz. Também pode ser encontrada com a designação Dunlop 507.

Descoberta em 4 de agosto de 1.826 por James Dunlop (por isto presente no catálogo sob o número 507) e posteriormente catalogada por John Herschel em 1.847. NGC 55 é a segunda galáxia mais brilhante do Grupo de Galáxias do Escultor, que é um agrupamento de galáxias do hemisfério sul próximo ao pólo austral.

Mais um objeto registrado durante o XI EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia), escolhido de forma puramente ocasional, algo que gosto de fazer durante o EBA, pois são inúmeras possibilidades com um céu escuro disponível em 360º. É uma galáxia relativamente grande e brilhante se comparada às demais, com um campo riquíssimo em pequenas galáxias. 

Algumas fontes a consideram como uma versão menor da Grande Nuvem de Magalhães, porém enquanto a GNM é vista de frente, NGC 55 é observada de lado. Abaixo temos a imagem resolvida através de um programa específico que identifica cada objeto presente na foto:
Imagem com objetos de fundo identificados.

#Curiosidades:

Selecionei algumas partes do campo desta fotografia para demonstrar o quão incrível é esta região, permeada por pequenos objetos difusos, que na verdade são outras galáxias, porém muito mais distantes!





Notem que tais objetos difusos estão registrados no catálogo PGC (Catalogue of Principal Galaxies), o qual consiste num amplo catálogo de galáxias confirmadas.

#Dados do objeto:
Nome: ********
Catálogo: NGC 55, Dunlop 507, PGC 1014
Descrição: galáxia espiral
Constelação: Escultor
Tipo: SBm
Magnitude Visual: +7.90
Tamanho Aparente: 31.2 x 5.9 arcmin.
Dist. Estimada: 6 milhões de anos-luz (fonte APOD)
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de NGC 55 na constelação escultor.

#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 26 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 16 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Verde (filtro G): 14 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Azul (filtro B): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Exp. Total: 3,67 horas
Calibração: darks Bin 1x1 e Bin 2x2
Local: Padre Bernardo / Goiás / Brasil (XI EBA)
Data: 14 de julho de 2.018
Escala bortle: 3-4
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution* ........ 1.317 arcsec/pix
Rotation .......... 0.035 deg
Focal ............. 595.19 mm
Pixel size ........ 3.80 um
Field of view ..... 1d 21' 54.7" x 59' 15.6"
Image center ...... RA: 00 15 04.513  Dec: -39 15 01.72
*Esta resolução considera a imagem em resolução total (3732 x 2700 pixels).


#Melhor resolução:
Flickr: resolução 1920 x 1389

Abraços!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Nebulosa do Camarão (Prawn Nebula) - IC 4628

A Nebulosa do Camarão (Prawn Nebula) catalogada como IC 4628, ou também como Gum 56, situa-se ao sul da estrela Antares, na constelação de escorpião que é uma das mais ricas em nebulosas. Primeiro objeto que registrei durante o XI EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia), ressalta a importância de se fazer astrofotografia em um local escuro, pois aumenta o contraste e revela detalhes mais finos dos objetos fotografados.

Tipicamente trata-se de uma nebulosa de emissão, por isso vemos este padrão avermelhado que é resultante da emissão vermelha de hidrogênio. As zonas escuras são nuvens de poeira que bloqueiam a luz das estrelas de fundo, produzindo este aspecto enegrecido na imagem. Por fim, ao fundo, temos esta imensidão de estrelas que habitam o bojo da Via Láctea.

IC 4628 é um objeto brilhante se comparado aos demais Deep Sky Objects e relativamente grande, pois abrange o equivalente a três luas cheias no céu, sendo ideal para telescópios de curta distância focal. Particularmente a classificamos como um dos objetos do catálogo COM (Catálogo de Objetos Manjados – uma forma bem humorada de classificar os objetos de céu profundo mais conhecidos), além disso é relativamente fácil registrá-la e quase todo astrofotógrafo amador possui uma chapa em seu portfólio pessoal.

Algo interessante que costumo fazer para analisar as imagens é separar os canais de cor no Adobe Photoshop a fim de comparação:
[Canal R]

[Canal G]

[Canal B]
Percebam a diferença do canal vermelho em relação aos demais.

#Curiosidades:
Geralmente a astrofoto revela algum detalhe curioso que alimenta a imaginação. Nesta, por exemplo, para mim há a silhueta do Timão (da dupla Timão e Pumba no Rei Leão) no centro da imagem.


#Dados do objeto:
Nome: Nebulosa do Camarão
Catálogo: IC 4628 ou Gum 56
Descrição: nebulosa brilhante
Constelação: Escorpião
Magnitude Visual: +10.00
Tamanho Aparente: 90.0 x 60.0 arcmin.
Dist. Estimada: 6.000 anos-luz (fonte APOD)
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de IC 4628 na constelação escorpião.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 33 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Verde (filtro G): 13 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Azul (filtro B): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Exp. Total: 4,2 horas
Calibração: darks Bin 1x1 e Bin 2x2
Local: Padre Bernardo / Goiás / Brasil (XI EBA)
Data: 14 de julho de 2.018
Escala bortle: 3-4
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution* ........ 1.316 arcsec/pix
Rotation ............ 177.853 deg
Focal ............. 595.44 mm (cropped)
Pixel size ........ 3.80 um
Field of view ..... 1d 34' 20.3" x 1d 12' 23.9"
Image center ...... RA: 16 58 04.574  Dec: -40 21 20.91
*Esta resolução considera a imagem em resolução total (4300 x 3300 pixels).


#Melhor resolução:

terça-feira, 17 de julho de 2018

XI EBA - 2018

Campo de trabalho
Julho chegou e com ele a realização de mais um EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia), realizado na cidade de Padre Bernardo – Goiás, organizado brilhantemente pelo CAsB (Clube de Astronomia de Brasília).

Trata-se de um evento que reúne boa parte dos melhores astrofotógrafos brasileiros num local bem distante da poluição luminosa das grandes cidades, este local possibilita o registro de imagens de céu profundo que requerem longas exposições para serem feitas. Fazendo um adendo, a poluição luminosa é muito nociva a este tipo de fotografia porque impede o registro dos objetos cósmicos cuja luz é muito tênue.
Belíssimas instalações!
Nesta ocasião é normal trocar o dia pela noite (literalmente), pois há o reencontro do homem com o Cosmos. Muitos participantes residem nos grandes centros urbanos e ficam privados de observar as belezas que apenas um céu realmente escuro é capaz de proporcionar. Com os telescópios apontados para o alto, as luzes apagadas, montagens alinhadas com o pólo, o Universo se revela através de nossas lentes.

A congregação de talento e simpatia é um ponto forte do EBA, as conversas ao longo da noite, bem como o bate-papo nos fins de tarde (o horário matutino é reservado ao descanso - risos) são o que há de melhor. É incrível o quanto se aprende neste tipo de evento, afinal, cada participante é um autodidata nesta arte então todos têm muito a oferecer nas trocas de experiência e conhecimento.

Eu possuo um céu razoavelmente bom para astrofotografia na minha localidade, considerando a escala bortle (uma escala utilizada para aferir o nível de escuridão do céu), aqui gira em torno de 4 ou 5 nesta escala, o que já me proporciona boas imagens. No EBA dispomos de um céu escala bortle entre 3 e 4. Para mim, que sou acostumado a capturar fótons sozinho, é uma experiência inigualável estar ao lado de pessoas que compartilham da mesma paixão, além das boas risadas que só quem pratica astrofotografia iria rir delas.
Escala Bortle
Outro ponto interessante é a variedade de equipamentos que aparece no evento, há desde pequenas lentes fotográficas a enormes telescópios, e ambos produzem lindas imagens. Só nos falta agora encontrar um meio de driblar as nuvens, porque elas são daquele tipo de intruso que acaba com a festa (risos).
Aqui um dos telescópios grandões.
Enfim, o EBA vai muito além de um encontro de telescópios, traduz-se na celebração da beleza do Universo, registramos em nossos álbuns galáxias, nebulosas, estrelas cuja informação viajou por distâncias infinitas através de seus fótons para serem capturados por nós, aqui num pálido ponto azul.
Eu no campo com o meu telescópio.
A partir desta publicação iniciarei um novo trabalho no blog que há muito tempo estava na minha lista de objetivos, que é a cada captura minha criar um tópico no blog falando sobre o objeto e a sua captura. Acompanhem as próximas publicações!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Construção da nova Montagem Equatorial

Peças da nova montagem equatorial CEM.
Primeiro projeto de 2018 trata-se de uma nova montagem equatorial, se não me engano é a minha quinta montagem equatorial. Desta vez abordarei um design diferente do tradicional, pois todos os meus projetos anteriores foram baseados no tipo equatorial alemã (GEM - do inglês German Equatorial Mount), criado Joseph von Fraunhofer. 

Agora estou construindo uma montagem cujo design é derivado da alemã tradicional, sendo conhecido como CEM (Center-balanced Equatoial Mount), tomei conhecimento deste tipo de montagem através das montagens comercializadas pela Ioptron, esta empresa oferece montagens com desenhos inovadores. É verdade que nunca tive contato direto com uma montagem equatorial da Ioptron para saber como ela de fato se comporta, no entanto, a experiência adquirida com os meus projetos anteriores me levaram a ficar bastante entusiasmado com esta proposta.

A ideia de posicionar o centro de massa da montagem o mais centralizado possível é brilhante, conferindo mais estabilidade e robustez à montagem equatorial. Fiz a minha aposta e decidi criar uma CEM para mim, além disso (como sempre rsrs) reaproveitei alguns componentes que estavam estocados em casa.

O projeto é mais ambicioso do que os precedentes, nesta etapa a aposta na capacidade de carga é maior, usarei componentes mais nobres e com um pouco mais de investimento ($$) também. A motivação é que esta montagem tenha capacidade bem superior à minha SkyWatcher HEQ5 Pro que tenho usado no observatório, haja vista que tenho em mente adquirir um refletor maior para o registro de galáxias e a HEQ5 ficaria no seu limite de capacidade.

Até o presente momento tudo está muito positivo, a montagem está bem robusta e livre de folgas. Durante o final de semana irei montar todos os componentes, ficando ausentes apenas as polias da redução secundária que os Correios ainda não entregaram.

A pintura continua no padrão Iron Man da Marvel (tenho que mudar isso... rsrs). 

Irei publicando aqui os avanços do projeto...

Algumas peças como coroas e sem-fim, tarugos de alumínio e tecnil já estavam disponíveis em casa. Vejam na foto a proporção das peças ao serem colocadas diante de uma caneta esferográfica comum.
Após a usinagem, as peças foram polidas para receberem a pintura.
Em destaque estão os eixos AR (2" de diâmetro, bronze) e DEC (1" de diâmetro, aço inox).

Optei por mancais sem abas (sufoco para encontrá-los em Goiânia/GO) e rolamentos para eixos de 2 polegadas.

Saddle encomendado com o Dony de Castro.
Pela primeira vez a eletrônica será baseada em Arduino, o projeto escolhido foi o AstroEQ.
Aspecto próximo ao final, aqui apresentado antes da pintura e faltando o sem-fim de DEC e os motores com as polias.

Abraços a todos que acompanham o blog!