domingo, 19 de agosto de 2018

Sistemas de Motorização para Montagens Astronômicas

Diversos motores de passo
O pessoal sempre me questiona acerca da motorização das montagens equatoriais que faço e percebo que há pouca informação difundida sobre o assunto. Eu construo montagens astronômicas desde o ano de 2.009 e já montei vários sistemas de automatização, pretendo falar um pouco sobre cada um e assim você poderá escolher algum que lhe agrade mais, ou pelo menos conhecer sobre estas incríveis ferramentas.

No Brasil diversas pessoas já montaram sistemas de motorização para as suas montagens equatoriais ou altazimutais, geralmente utilizam montagens comerciais que não vieram com motores e aplicam estes sistemas com a finalidade de obterem acompanhamento sideral automático e conseguem ótimos resultados. Há também quem escolha instalar o sistema numa montagem artesanal, como no meu caso.

Existe vasta literatura sobre o tema, porém geralmente em línguas estrangeiras. O pessoal que monta o sistema comumente o faz para si, alguns até se disponibilizam a fazê-lo para terceiros. A finalidade desta publicação é apresentar as alternativas que existem para motorizar uma montagem equatorial a fim de conseguir acompanhar os astros celestes de forma automatizada que permite mais conforto na observação visual e praticar astrofotografia (tanto planetária quanto de longa exposição).

Para quem não está muito familiarizado com o assunto ou quer entender o porquê de se utilizar uma montagem motorizada, recomendo que leiam esta publicação no meu blog:

Montagem Equatorial motorizada e computadorizada

Na publicação acima falo um pouco acerca da mecânica celeste e como a montagem atua e o seu respectivo funcionamento para obter o resultado que desejamos e, assim, não preciso estender este tópico com a mesma explicação.

O que preciso para conseguir acompanhamento sideral automático?

Você precisa de uma montagem astronômica, seja ela altazimutal ou equatorial, e um sistema que lhe permita controlar os motores que irão atuar sobre os eixos desta montagem reproduzindo o movimento necessário para compensar o deslocamento do astro em razão da velocidade de rotação da Terra. Este sistema poderá prover o recurso de GoTo (apontamento automático) ou não. Enfatizo que: na montagem equatorial é possível utilizar apenas UM motor no eixo de ascensão reta para conseguir acompanhamento sideral; na montagem altazimutal são necessários DOIS motores para se conseguir o mesmo resultado, um em azimute e o outro em altitude.

Quais motores devo usar?

>> Motores DC

Os motores DC (corrente contínua) possuem velocidade fixa, desta forma a velocidade fornecida pelo motor é um múltiplo da velocidade sideral que ao ser aplicada ao sistema de transmissão da montagem (engrenagens, redução planetária, polias, setor liso) reproduz uma velocidade bem próxima à velocidade sideral. Funciona muito bem para observação visual e astrofotografia planetária, mas dificilmente se aplica à astrofotografia de longa exposição. Mais detalhes sobre este tipo de motor pode ser visto aqui.

>> Motores de Passo (steppers)

Os motores de passo são os mais usados atualmente (foto principal da publicação),  tais dispositivos são capazes de girar em qualquer direção em qualquer velocidade praticamente. Existem diversos tipos de motores de passo no mercado, desde pequenos motores a exemplares de grande torque. Para uma montagem equatorial o tipo de motor será proporcional ao tamanho da sua montagem, em geral, quanto maior a montagem mais torque deverá ter o motor. Os tipos mais comuns são os motores Nema, sendo o Nema 17 e o 23 os mais utilizados. Tais motores possuem diversas características, sendo fundamental observar torque, tensão e corrente, estes parâmetros deverão coincidir com o sistema escolhido para controlá-los, caso contrário não irão operar adequadamente ou poderão até queimar o circuito do sistema. A maior vantagem deste tipo de motor é que ele permite inúmeros recursos além do acompanhamento sideral, tais como auto-guiagem (compensa problemas de guiagem em tempo real) e goto (aponta para os astros automaticamente). Todos os meus sistemas foram montados com motores de passo.
Nema 23 com torque de 10 kgf.
Nema 17 com torque de 1,2 kgf.
Motor de passo de ímã permanente "tin-can".
Comparativo de tamanho entre os 3 tipos de motores.
Aqui foram apresentados apenas três tipos de motor de passo (existem mais!) e todos os três podem ser utilizados em montagens equatoriais com o devido projeto.

Vamos aos sistemas!

Para acionar um motor de corrente contínua você precisa apenas fornecer a tensão exigida para que ele comece a girar com a RPM (Rotação Por Minuto) especificada, não requere portanto um circuito específico para isso. Já os motores de passo exigem um controlador (driver) e um circuito que lhe indique passo/micro-passo, direção etc. O nosso foco será nos sistemas que operam com motor de passo.

Atualmente conheço quatro sistemas disponibilizados gratuitamente para controle de motor de passo em montagens astronômicas, sendo: PicGoTo, SoundStepper, AstroEQ e OnStep. Dentre eles já montei três (PicGoToAstroEQ e OnStep) e cada um deles possui as suas variantes, por isso já montei mais de um circuito para o mesmo sistema. O único que nunca montei é o sistema SoundStepper do meu amigo Maciel Bassani Sparrenberger, que é o único brasileiro da lista e que tomei conhecimento apenas no ano passado durante o X EBA.

Detalhes sobre o sistema do Maciel podem ser encontrados aqui: SoundStepper.

Para que a publicação não fique longa demais, irei escrever um artigo para cada sistema que já montei e assim espero que possibilite o bom entendimento acerca de cada um.

Acompanhem as próximas publicações...

Abraços!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A incrível Nebulosa da Águia - Messier 16

Nebulosa da Águia ou Messier 16
A Nebulosa da Águia ou Messier 16 é um objeto emblemático na astrofotografia amadora e também dentre aqueles que praticam observação visual. Trata-se de um dos objetos celestes mais conhecidos do público em geral, boa parte deste sucesso deve-se à famosa foto tirada pelo telescópio espacial Hubble intitulada Pilares da Criação, a impressionante estrutura integra esta vasta nebulosa.

Escrever no meu blog sobre um objeto tão famigerado representa um desafio, porque há muita literatura sobre esta nebulosa, sendo ela muito conhecida no mundo todo tal como a Nebulosa de Órion, Nebulosa da Lagoa, Nebulosa Trífida e o aglomerado das Plêiades. Certamente M16 é o alvo que todo iniciante em astrofotografia deseja fazer, principalmente para capturar os famosos pilares que ilustram muitos livros de ciência da escola e não é por menos que ela é um dos objetos mais famosos do COM (Catálogo de Objetos Manjados).

Os pilares são incrivelmente fáceis de se registrar em foto, pois situam-se na região mais brilhante da nebulosa exigindo pouco tempo de exposição para conseguir um resultado aceitável. Veja abaixo um recorte desta região na minha fotografia:

Os famosos "Pilares da Criação"!
No entanto, o esplendor da imagem apenas se revela através de um trabalho relativamente árduo. Um grande objeto merece uma grande foto! A Nebulosa da Águia já me trouxe várias frustrações, há tempos tento registrá-la com seus enormes braços de nebulosidade, desde o tempo em que eu utilizava câmera DSLR, e mesmo com a câmera COLDMOS este objeto se mostrou bem desafiador. Também foi uma boa oportunidade para colocar a VERONICA em testes.
Veronica carregando o refrator.
Iniciei a captura com 6 horas, o que é algo relativamente bom para a maioria dos objetos deep sky (geralmente faço entre 4 e 5 horas), após o primeiro processamento notei que pouca nebulosidade havia sido capturada; parti para 11 horas e mesmo assim não me satisfez. Portanto acabei fazendo 21 horas de exposição (meu recorde até o momento!). Logo pretendo escrever no meu blog um artigo acerca da relação sinal/ruído para explicar como isto funciona na prática.
[Canal R] - notem quanta nebulosidade de emissão!
Esta astrofotografia foi o meu maior desafio até agora nesta arte, foram 4 noites de capturas e inúmeras tentativas de processamento. Quando vemos uma astrofotografia pronta, dificilmente vislumbramos o quanto de trabalho fora empregado ali, esta imagem é um exemplo disso.

#Dados do objeto:
Nome: Nebulosa da Águia / Eagle Nebula / Nebulosa da Rainha Estelar / Star Queen Nebula
Catálogo: Messier 16 / M16 / NGC 6611 / IC 4703 / LBN 67
Descrição: aglomerado aberto com nebulosidade
Constelação: Serpens (Serpente)
Magnitude Visual: +6.40
Tamanho Aparente: 35.0 x 28.0 arcmin.
Dist. Estimada: 5700 anos-luz
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de M16 na constelação Serpens.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: Veronica CEM
Filtros: LRGB Optolong e L-PRO Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 15 horas (subs 180s and 300s) bin1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 3,5 horas (subs 180s and 300s) bin1x1 -10° C
Verde (filtro G): 1,25 horas (subs 180s) bin1x1 -10° C
Azul (filtro B): 1,1 horas (subs 180s) bin1x1 -10° C
Exp. Total: 20,85 horas
Calibração: darks
Local: Silvânia / Goiás / Brasil
Data: 10-13 de agosto de 2.018
Escala bortle: 4-5
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution ........ 1.318 arcsec/pix*
Rotation .......... -15.069 deg
Focal ............. 594.59 mm
Pixel size ........ 3.80 um
Field of view ..... 1d 29' 42.3" x 1d 3' 37.6"
Image center ...... RA: 18 19 01.369  Dec: -13 56 23.55
*Esta escala considera a imagem em resolução total (4150 x 3050 pixels).

#Melhor resolução:
Flickr: resolução 2200 x 1560

Abraços!

domingo, 12 de agosto de 2018

Bilhões e bilhões de estrelas - NGC 6520

NGC 6520
"Você já teve um dia em que parecia que uma nuvem escura estava te seguindo? Para o aglomerado aberto de estrelas NGC 6520, todos os dias é assim." [Fonte: APOD]

A imagem que trago desta vez é bem peculiar, existem vários elementos interessantes que consignam à foto uma beleza estimulante. Há tempos este alvo constava na minha lista de objetos a serem fotografados, principalmente por se tratar de algo bem particular: uma pequena nuvem escura navegando pelo bojo da Via Láctea acompanhado de um jovem aglomerado de estrelas.

No centro, à esquerda, temos o aglomerado aberto de estrelas NGC 6520, que é formado por jovens estrelas azuis; à direita temos a nuvem molecular Barnard 86, que também pode ser denominada como uma nebulosa de absorção (nebulosa escura) pois ela absorve a luz das estrelas de fundo. Possivelmente as estrelas do aglomerado se originaram da nuvem molecular Barnard 86, sendo esta nebulosa a fornecedora do material necessário para a formação de novas estrelas.
Destaque para o par cósmico (região central da foto).
Além disso, esta foto traduz em estrelas o celebrado título da obra de Carl Sagan, Billions and Billions: Thoughts on Life and Death at the Brink of the Millennium (Tradução: Bilhões e Bilhões: Pensamentos sobre Vida e Morte à Beira do Milênio). Cada minúsculo ponto no plano de fundo desta astrofotografia é uma estrela como o nosso Sol, porém muito mais distante e que compõe o centro galático.

#Dados do objeto:
Nome: ********
Catálogo: NGC 6520
Descrição: aglomerado aberto
Constelação: Sagittarius
Magnitude Visual: +7.59
Tamanho Aparente: 2.0 arcmin.
Dist. Estimada: 6200 anos-luz
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de NGC 6520 na constelação Sagittarius.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 38 quadros de 180s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Verde (filtro G): 14 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Azul (filtro B): 16 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Exp. Total: 3,4 horas
Calibração: darks
Local: Silvânia / Goiás / Brasil
Data: 18 de julho de 2.018
Escala bortle: 4-5
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Center (RA, hms): 18h 03m 16.614s
Center (Dec, dms): -27° 54' 57.217"
Size: 1.52 x 1.12 deg
Radius: 0.943 deg
Pixel scale: 1.32 arcsec/pixel*
Orientation: Up is 356 degrees E of N
*Esta escala considera a imagem em resolução total (4150 x 3050 pixels).


#Melhor resolução:
Flickr: resolução 1920 x 1411

Abraços!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Uma Nebulosa Impactante - IC 4603

IC 4603
Esta é uma nebulosa impactante! Sem dúvidas um objeto muito distante do trivial. Com suas densas nebulosas escuras adjacentes, IC 4603 se apresenta como algo surreal aos nossos olhos. Único objeto para o qual me programei para fotografar no EBA, sendo ele o primeiro a ser capturado e o último (dos três que fiz durante o evento) a ser publicado devido à sua complexidade no processamento.

A nebulosa brilhante ao centro é do tipo de reflexão, a luz das jovens estrelas azuis é refletida pela poeira menos densa. Enquanto as nuvens mais densas, ricas em carbono, bloqueiam a luz das demais estrelas produzindo as zonas mais escuras vistas na imagem.

Situada na constelação de ophiuchus (ou serpentário), próximo à estrela Antares, faz parte do Complexo de Nuvens Moleculares Rho Ophiuchi. Este complexo é uma das regiões mais fotografadas do céu noturno, produzindo imagens muito belas e ricas em cores, contudo raramente vemos uma foto como esta acima, isto é, com ênfase em um dos seus membros, neste caso IC 4603.

Algo interessante que costumo fazer para analisar as imagens é separar os canais de cor no Adobe Photoshop a fim de comparação:
[Canal R]
[Canal G]
[Canal B]
Percebam a diferença do canal azul em relação aos demais.

#Dados do objeto:
Nome: ********
Catálogo: IC 4603 ou LBN 1109
Descrição: nebulosa brilhante (reflexão)
Constelação: Ophiuchus
Magnitude Visual: +10.00
Tamanho Aparente: 20.0 x 10.0 arcmin.
Dist. Estimada: 420 anos-luz
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de IC 4603 na constelação ophiuchus.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 47 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 16 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Verde (filtro G): 7 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Azul (filtro B): 8 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Exp. Total: 6,5 horas
Calibração: darks Bin 1x1
Local: Padre Bernardo / Goiás / Brasil (XI EBA)
Data: 14 de julho de 2.018
Escala bortle: 3-4
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution* ........ 1.316 arcsec/pix
Focal ................. 595.44 mm (cropped)
Pixel size ........... 3.80 um
Image center ..... RA: 16h26m 31.4s  DEC: -24°30' 24"
*Esta resolução considera a imagem em resolução total (4300 x 3300 pixels).


#Melhor resolução:
Flickr: resolução 1920 x 1350

Abraços!

domingo, 22 de julho de 2018

Uma galáxia irregular - NGC 55

NGC 55
Catalogada como NGC 55 no New General Catalogue - NGC, trata-se de uma galáxia irregular, do tipo da Grande Nuvem de Magalhães, contudo, enquanto a GNM situa-se a aproximadamente 180 mil anos-luz de distância, NGC 55 está a mais de 6 milhões de anos-luz. Também pode ser encontrada com a designação Dunlop 507.

Descoberta em 4 de agosto de 1.826 por James Dunlop (por isto presente no catálogo sob o número 507) e posteriormente catalogada por John Herschel em 1.847. NGC 55 é a segunda galáxia mais brilhante do Grupo de Galáxias do Escultor, que é um agrupamento de galáxias do hemisfério sul próximo ao pólo austral.

Mais um objeto registrado durante o XI EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia), escolhido de forma puramente ocasional, algo que gosto de fazer durante o EBA, pois são inúmeras possibilidades com um céu escuro disponível em 360º. É uma galáxia relativamente grande e brilhante se comparada às demais, com um campo riquíssimo em pequenas galáxias. 

Algumas fontes a consideram como uma versão menor da Grande Nuvem de Magalhães, porém enquanto a GNM é vista de frente, NGC 55 é observada de lado. Abaixo temos a imagem resolvida através de um programa específico que identifica cada objeto presente na foto:
Imagem com objetos de fundo identificados.

#Curiosidades:

Selecionei algumas partes do campo desta fotografia para demonstrar o quão incrível é esta região, permeada por pequenos objetos difusos, que na verdade são outras galáxias, porém muito mais distantes!





Notem que tais objetos difusos estão registrados no catálogo PGC (Catalogue of Principal Galaxies), o qual consiste num amplo catálogo de galáxias confirmadas.

#Dados do objeto:
Nome: ********
Catálogo: NGC 55, Dunlop 507, PGC 1014
Descrição: galáxia espiral
Constelação: Escultor
Tipo: SBm
Magnitude Visual: +7.90
Tamanho Aparente: 31.2 x 5.9 arcmin.
Dist. Estimada: 6 milhões de anos-luz (fonte APOD)
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de NGC 55 na constelação escultor.

#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 26 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 16 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Verde (filtro G): 14 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Azul (filtro B): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Exp. Total: 3,67 horas
Calibração: darks Bin 1x1 e Bin 2x2
Local: Padre Bernardo / Goiás / Brasil (XI EBA)
Data: 14 de julho de 2.018
Escala bortle: 3-4
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution* ........ 1.317 arcsec/pix
Rotation .......... 0.035 deg
Focal ............. 595.19 mm
Pixel size ........ 3.80 um
Field of view ..... 1d 21' 54.7" x 59' 15.6"
Image center ...... RA: 00 15 04.513  Dec: -39 15 01.72
*Esta resolução considera a imagem em resolução total (3732 x 2700 pixels).


#Melhor resolução:
Flickr: resolução 1920 x 1389

Abraços!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Nebulosa do Camarão (Prawn Nebula) - IC 4628

A Nebulosa do Camarão (Prawn Nebula) catalogada como IC 4628, ou também como Gum 56, situa-se ao sul da estrela Antares, na constelação de escorpião que é uma das mais ricas em nebulosas. Primeiro objeto que registrei durante o XI EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia), ressalta a importância de se fazer astrofotografia em um local escuro, pois aumenta o contraste e revela detalhes mais finos dos objetos fotografados.

Tipicamente trata-se de uma nebulosa de emissão, por isso vemos este padrão avermelhado que é resultante da emissão vermelha de hidrogênio. As zonas escuras são nuvens de poeira que bloqueiam a luz das estrelas de fundo, produzindo este aspecto enegrecido na imagem. Por fim, ao fundo, temos esta imensidão de estrelas que habitam o bojo da Via Láctea.

IC 4628 é um objeto brilhante se comparado aos demais Deep Sky Objects e relativamente grande, pois abrange o equivalente a três luas cheias no céu, sendo ideal para telescópios de curta distância focal. Particularmente a classificamos como um dos objetos do catálogo COM (Catálogo de Objetos Manjados – uma forma bem humorada de classificar os objetos de céu profundo mais conhecidos), além disso é relativamente fácil registrá-la e quase todo astrofotógrafo amador possui uma chapa em seu portfólio pessoal.

Algo interessante que costumo fazer para analisar as imagens é separar os canais de cor no Adobe Photoshop a fim de comparação:
[Canal R]

[Canal G]

[Canal B]
Percebam a diferença do canal vermelho em relação aos demais.

#Curiosidades:
Geralmente a astrofoto revela algum detalhe curioso que alimenta a imaginação. Nesta, por exemplo, para mim há a silhueta do Timão (da dupla Timão e Pumba no Rei Leão) no centro da imagem.


#Dados do objeto:
Nome: Nebulosa do Camarão
Catálogo: IC 4628 ou Gum 56
Descrição: nebulosa brilhante
Constelação: Escorpião
Magnitude Visual: +10.00
Tamanho Aparente: 90.0 x 60.0 arcmin.
Dist. Estimada: 6.000 anos-luz (fonte APOD)
Fonte: SkySafari 4 Plus app
Localização de IC 4628 na constelação escorpião.
#Equipamento:
Telescópio: Refrator Orion ED80
Distância Focal: 600mm
Câmera: QHY163M
Montagem: SkyWatcher HEQ5 Pro
Filtros: LRGB Optolong
Guiagem: buscadora Meade 8x50 com câmera Starlight Superstar mono
Acessórios: aplanador de campo Orion; roda de filtros manual StarGuider

#Dados da captura:
Luminância (filtro L): 33 quadros de 300s Bin 1x1 -10° C
Vermelho (filtro R): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Verde (filtro G): 13 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Azul (filtro B): 15 quadros de 120s Bin 2x2 -10° C
Exp. Total: 4,2 horas
Calibração: darks Bin 1x1 e Bin 2x2
Local: Padre Bernardo / Goiás / Brasil (XI EBA)
Data: 14 de julho de 2.018
Escala bortle: 3-4
Programas para aquisição: APT; EQMod; PHD 2
Programas para processamento: PixInsight e Photoshop CS6

#Image Plate Solver:
Resolution* ........ 1.316 arcsec/pix
Rotation ............ 177.853 deg
Focal ............. 595.44 mm (cropped)
Pixel size ........ 3.80 um
Field of view ..... 1d 34' 20.3" x 1d 12' 23.9"
Image center ...... RA: 16 58 04.574  Dec: -40 21 20.91
*Esta resolução considera a imagem em resolução total (4300 x 3300 pixels).


#Melhor resolução:

terça-feira, 17 de julho de 2018

XI EBA - 2018

Campo de trabalho
Julho chegou e com ele a realização de mais um EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia), realizado na cidade de Padre Bernardo – Goiás, organizado brilhantemente pelo CAsB (Clube de Astronomia de Brasília).

Trata-se de um evento que reúne boa parte dos melhores astrofotógrafos brasileiros num local bem distante da poluição luminosa das grandes cidades, este local possibilita o registro de imagens de céu profundo que requerem longas exposições para serem feitas. Fazendo um adendo, a poluição luminosa é muito nociva a este tipo de fotografia porque impede o registro dos objetos cósmicos cuja luz é muito tênue.
Belíssimas instalações!
Nesta ocasião é normal trocar o dia pela noite (literalmente), pois há o reencontro do homem com o Cosmos. Muitos participantes residem nos grandes centros urbanos e ficam privados de observar as belezas que apenas um céu realmente escuro é capaz de proporcionar. Com os telescópios apontados para o alto, as luzes apagadas, montagens alinhadas com o pólo, o Universo se revela através de nossas lentes.

A congregação de talento e simpatia é um ponto forte do EBA, as conversas ao longo da noite, bem como o bate-papo nos fins de tarde (o horário matutino é reservado ao descanso - risos) são o que há de melhor. É incrível o quanto se aprende neste tipo de evento, afinal, cada participante é um autodidata nesta arte então todos têm muito a oferecer nas trocas de experiência e conhecimento.

Eu possuo um céu razoavelmente bom para astrofotografia na minha localidade, considerando a escala bortle (uma escala utilizada para aferir o nível de escuridão do céu), aqui gira em torno de 4 ou 5 nesta escala, o que já me proporciona boas imagens. No EBA dispomos de um céu escala bortle entre 3 e 4. Para mim, que sou acostumado a capturar fótons sozinho, é uma experiência inigualável estar ao lado de pessoas que compartilham da mesma paixão, além das boas risadas que só quem pratica astrofotografia iria rir delas.
Escala Bortle
Outro ponto interessante é a variedade de equipamentos que aparece no evento, há desde pequenas lentes fotográficas a enormes telescópios, e ambos produzem lindas imagens. Só nos falta agora encontrar um meio de driblar as nuvens, porque elas são daquele tipo de intruso que acaba com a festa (risos).
Aqui um dos telescópios grandões.
Enfim, o EBA vai muito além de um encontro de telescópios, traduz-se na celebração da beleza do Universo, registramos em nossos álbuns galáxias, nebulosas, estrelas cuja informação viajou por distâncias infinitas através de seus fótons para serem capturados por nós, aqui num pálido ponto azul.
Eu no campo com o meu telescópio.
A partir desta publicação iniciarei um novo trabalho no blog que há muito tempo estava na minha lista de objetivos, que é a cada captura minha criar um tópico no blog falando sobre o objeto e a sua captura. Acompanhem as próximas publicações!